Psicopedagoga Institucional e Clínica - Fernanda Bengezen: COMPROMETIMENTO: UMA VIA DE MÃO DUPLA

terça-feira, 5 de março de 2013

COMPROMETIMENTO: UMA VIA DE MÃO DUPLA


Você, meu amigo empresário ou gestor, que reclama de que falta comprometimento por parte de seus colaboradores, já pensou que talvez falte comprometimento por parte da sua empresa para com eles?


Saiba você que comprometimento é uma via de mão dupla. Quem cobra comprometimento de alguém tem que se comprometer com este alguém também. Assim é na vida pessoal, com nossos amigos, familiares e com a nossa “cara metade”, não importando aqui se esta “cara metade” é um (a) namorada (o), noiva (a), esposa (o), ou apenas, um caso especial. 

Comprometimento não significa relacionamento sem atritos, sem conflitos, sem choque de ideias, sem cara feia para cá ou para lá. Mas, o fato que ambos estão mutuamente comprometidos atenua as tensões, favorece o diálogo e facilita o entendimento e a volta à normalidade.

Todos nós conhecemos a famosa frase do Poeta Vinicius de Moraes em seu célebre Soneto de Fidelidade, que diz “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. Esta frase se refere ao amor entre duas pessoas e eu humildemente peço permissão ao nosso querido poeta, para adapta-la aos nossos tempos e as nossas empresas, “Que o comprometimento não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito e reconhecido enquanto durar o relacionamento”. 

Sim, eu proponho que o comprometimento exaustivamente cobrado do colaborador, seja igualmente praticado pela empresa para com ele, enquanto ele ali permanecer, não importando o tempo que durar esta chama, mas, enquanto ela estiver acesa ele tem que saber, sentir e vivenciar que a empresa está comprometida com ele.

Muitas vezes, é o comprometimento que faz com que esta chama se mantenha acesa e se prolongue por muitos e muitos anos. Quantas pessoas não dizem: “Não saio da empresa onde trabalho por nada deste mundo, nela eu sou bem tratado”, ou “... lá sou respeitado, eu me sinto gente”, ou ainda “... vale a pena trabalhar na empresa X, lá eu sou reconhecido”.

Comprometimento, aliás, que é uma das estratégias de gestão de pessoas mais simples, rápidas e econômicas de se desenvolver, implantar e operacionalizar. Basta querer. Só depende da postura de seus dirigentes e de ações conduzidas pela área de Gestão de Recursos Humanos.

Vamos a dois exemplos muito simples.

O primeiro diz respeito ao processo de contratação de pessoal. 

Sua empresa pode demonstrar que está comprometida com seus colaboradores quando adota a política de privilegiar o recrutamento interno, dando a todos as oportunidades de desenvolvimento e crescimento dentro da estrutura. Minha proposta, é que sua empresa pratique a política de contratar um office-boy sempre que surgir uma vaga de gerente no quadro. 

O segundo diz respeito ao já famoso PPR (Plano de Participação nos Resultados). 

Pergunto: Como sua empresa pode querer um quadro de colaboradores comprometidos se ela pratica o PPR apenas para os executivos, os gerentes, enfim, só para o pessoal do “andar de cima”? 

Você realmente acredita que os colaboradores que não recebem bônus, gratificações e outras premiações estejam comprometidos com sua empresa? Neste caso, minha sugestão é de que você de o primeiro passo, comprometendo-se antes com eles, repensando seu programa de PPR e incluindo nele, todos, absolutamente todos, os colaboradores, do mais humilde ao mais graduado da empresa, para que todos sintam que pertencem a uma só equipe, que jogam no mesmo time, que trabalham na mesma empresa, com o mesmo foco, em busca do atingimento das mesmas metas e objetivos para, em conjunto, compartilharem do mesmo reconhecimento. (Desculpem-me pelo excesso de “mesmos” na frase, mas, senti que seriam necessários para fortalecer a mensagem).

Eu poderia discorrer aqui sobre muitos outros exemplos que tratam da importância do comprometimento na motivação e no desempenho das pessoas e seus impactos nas Organizações, mas, prefiro encerrar lhe propondo uma reflexão: Não esqueça que antes de cobrarmos comprometimento dos outros para conosco, é preciso que demonstremos que estamos comprometidos com eles.

Sergio Lopes, consultor parceiro do IDORT

Fonte: IDORT

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